GoPro Max: 360 graus e uns truques a mais

A GoPro voltou a se aventurar no mercado de câmeras 360 graus. Depois da GoPro Fusion, de 2017, que não foi exatamente um sucesso, a GoPro Max quer resolver os problemas do passado e oferecer mil e uma utilidades com suas duas lentes, seis microfones e muitos truques de software, mantendo um corpo resistente e que pode ficar submerso na água.

Junto com a GoPro Hero 8 Black, a GoPro Max é a novidade mais recente da GoPro em sua linha de câmeras de ação. Mas o preço é pouco convidativo: são US$ 500 nos Estados Unidos, que se traduziram em R$ 3.799 no Brasil. Será que vale a pena comprar a nova câmera 360 graus da GoPro? Eu conto tudo nos próximos minutos.

Análise da GoPro Max em vídeo

Design e usabilidade

A GoPro Max não é tão maior que uma GoPro tradicional: em comparação com a Hero 7 Black, o modelo 360 graus é só três centímetros mais alto. A espessura, a largura e o peso são muito parecidos. Isso facilita o transporte da câmera: na minha última cobertura internacional, para conhecer os detalhes do Snapdragon 865 no Havaí, ela ficou no meu bolso lateral da calça quase o tempo todo, sem incomodar.

Só existe uma tela, na parte de “trás” da GoPro Max, que é sensível ao toque, responde bem aos comandos (na medida do possível para um painel minúsculo de 2 polegadas) e oferece qualidade de imagem suficiente para revisar um conteúdo no mesmo momento. Em relação a uma câmera da linha Hero, a vantagem é poder conferir o enquadramento enquanto você mesmo estiver se filmando.

As lentes são esféricas e estão nos dois lados para capturar imagens em 360 graus. Essa disposição de câmeras praticamente obriga o uso de um tripé ou extensão para que você consiga fazer bons enquadramentos, gravando o ambiente, e não os seus dedos. Aqui já entra uma novidade bacana: a GoPro Max (e a Hero 8 Black, que foi lançada simultaneamente) tem um encaixe retrátil integrado ao corpo, dispensando a necessidade da case tradicional da GoPro para ligar um acessório.

Esse é um design mais inteligente, que também facilita o acesso à bateria e ao cartão de memória. Uma coisa que eu aprendi por experiência própria gravando com GoPro é que, em algum momento, o software vai travar. De fato, isso aconteceu duas vezes em pouco mais de uma hora de filmagens espalhadas em uma semana; pelo menos foi mais fácil remover a bateria e reiniciar a câmera.

Software

Falando em software, esse continua sendo o ponto fraco da GoPro. Na câmera em si, a qualidade é até decente e melhorou na GoPro Max, com a adição de controles que facilitam o uso do dispositivo, como a possibilidade de alternar rapidamente entre enquadramentos no modo de filmagem com uma lente. Você pode ir do Max SuperView (equivalente a uma lente de 13 mm), com um campo de visão extremamente amplo; até o Estreito (equivalente a 27 mm), que fecha o quadro no objeto a ser filmado.

Mas é claro que existem bugs na câmera. O mais problemático foi o que inutilizou alguns arquivos: em pelo menos cinco vídeos, entre pouco mais de 200 gravados no total, a GoPro Max simplesmente não captou áudio nenhum. Na ocasião, eu estava usando a primeira versão final do firmware da GoPro Max — mas esse é o tipo de falha que não pode passar.

E o grande problema do software da GoPro é o que acontece depois. O aplicativo para celular é bem imprevisível: eu nunca sei quando meus vídeos e fotos estão sendo sincronizados ou não. Já o player de vídeo para macOS, o GoPro Player, é extremamente pesado para reproduzir conteúdos em 360 graus: travadinhas são comuns, e explorar a imagem esférica é uma experiência bem sofrível.

A edição dos arquivos 360 graus também pode ser uma tarefa meio ingrata. Mas, para comentar com mais propriedade sobre o assunto, chamo o nosso editor audiovisual Paulo Barba no próximo tópico.

Qualidade de imagem, som e bateria

A qualidade de imagem da GoPro Max é boa. Para mim, a empresa continua acertando muito no perfil de cores — fica claro que o objetivo nunca foi ser fiel à realidade, mas agradar os olhos de quem vê. Céus, vegetações, mares, pores do sol e outras cenas são representadas de forma viva, quente e contrastante. É claro que você pode ativar o perfil de cores neutro. Mas, sinceramente? Não tenho vontade nenhuma de fazer isso.

A definição é ótima em ambientes com pouca luz, mas apenas razoável depois que o sol se põe, quando os ruídos também ficam mais visíveis. Se a GoPro conseguisse implantar uma lente com abertura maior que a f/2,8 da GoPro Max, talvez os resultados fossem melhores. E, sim, o alcance dinâmico é um pouco limitado: em cenas de maior contraste, como uma janela iluminada ao fundo, qualquer smartphone premium de 2019 conseguiria resultados melhores.

A estabilização de imagem permanece como um ponto forte da GoPro e tira bastante proveito das lentes com campo de visão maior, que ajudam a criar cenas mais fluidas por meio de truques de software. E o nivelamento de horizonte, uma novidade das câmeras de 2019 da GoPro, é certamente útil para gravações com muita movimentação.

Minha crítica fica por conta da limitação de resolução no modo Hero. Obviamente, a GoPro Max é uma câmera voltada para quem quer filmar em 360 graus (e atinge 6K a 30 fps nesse modo). Mas nem sempre é adequado gravar todos os cantos possíveis. E, se você quiser registrar um momento com apenas uma lente, o máximo que consegue chegar em proporção 16:9 é Full HD a 60 fps. Até a GoPro Hero 5 Black, de 2016, chega a 4K, e é difícil aceitar que um modelo mais caro, três anos depois, não faça isso.

Pelo menos, um ponto bastante aprimorado na GoPro Max é a qualidade de som. Os seis microfones fizeram muito bem à câmera de ação: independente de qual lente você estiver usando, sempre garante que um microfone estará captando o áudio. Não espere nenhuma qualidade de estúdio — mas os resultados são significativamente superiores aos da Hero 7 Black.

E quanto à bateria, nada novo no horizonte: a GoPro Max é equipada com um componente de 1.600 mAh que foi suficiente para filmar em 360 graus, na resolução máxima, durante 1h22min contínuos, com a tela ligada só no primeiro minuto. É uma duração de bateria semelhante ao que você encontra em outras câmeras de ação da GoPro.

Em gravações mais curtas, em que o display fica ligado por mais tempo, a autonomia é bem menor: em média, gastei entre 40% e 60% da carga em um dia, com dezenas de tomadas somando de 20 a 30 minutos de filmagem.

Vale a pena?

Qualquer conclusão de review de GoPro carrega um tom semelhante: uma câmera de ação tem o grande potencial de ficar esquecida no fundo da gaveta porque, com exceção do pessoal mais aventureiro, o celular já dá conta do recado na maioria das situações. E o preço sugerido de R$ 3.799 da GoPro Max chega a ser maior que o de smartphones topo de linha, que possuem câmeras incríveis.

Por outro lado, a GoPro Max consegue oferecer um pacote bastante convincente para o público que já usa câmeras de ação. Apesar de não atingir resolução 4K no modo Hero e ter seus problemas de software, a GoPro Max oferece uma das melhores qualidades de imagem que eu já vi: a estabilização HyperSmooth parece bruxaria; a definição é excelente; as cores são incríveis; e a gravação de som está bem melhor que nas gerações passadas.

Além disso, a GoPro Max te dá liberdade para fazer o que o você não faria com o seu celular. Dá para gravar em 360 graus em praticamente qualquer lugar, inclusive debaixo da água, subindo uma montanha ou descendo uma trilha desafiadora. Você pode até se machucar (espero que não), mas é bem provável que a câmera saia ilesa.

GoPro Max: 360 graus e uns truques a mais

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