Tile acusa Apple de práticas monopolistas em depoimento ao congresso dos EUA

Não é de hoje que o congresso dos Estados Unidos está com uma verdadeira lupa em cima das gigantes tecnológicas (Apple, Google, Amazon e Facebook, nomeadamente) por suspeitas de que as empresas implementam práticas monopolísticas nas suas formas de negócios, utilizando seu poder para escantear fabricantes menores e manter uma espécie de poder supremo nas categorias em que atuam.

Várias empresas (como o Spotify) já emitiram testemunhos fortalecendo essa tese, e hoje mais um conjunto delas subiu ao púlpito para engrossar o coro. As informações são do The Verge.

Tudo começou na última semana, quando a Sonos moveu um processo contra o Google, acusando a gigante de Mountain View de roubar tecnologias de conexão suas para utilizá-las na sua linha de alto-falantes inteligentes. Com isso, o congresso dos EUA instaurou mais uma investigação de práticas monopolistas contra as gigantes tecnológicas, recebendo depoimentos de algumas empresas menores — entre elas, a Tile, a Basecamp, a PopSockets e a própria Sonos.

A ideia é ouvir das empresas “os custos reais de poderosos monopólios em potencial”, e a Tile, em particular, apresentou argumentos muito persuasivos em relação às práticas (supostamente) nocivas da Apple nos campos em que atua. Por meio da sua vice-presidente e conselheira-geral, Kirsten Daru, a empresa pediu mudanças nas políticas antitruste, afirmando que não tem como competir com uma empresa que dita as regras de todo o segmento.

A Tile, para quem não se lembra, é a fabricante daqueles pequenos rastreadores Bluetooth (imagem acima) que, até pouco tempo, eram vendidos nas lojas da Apple. Tudo mudou quando o desenvolvedor Guilherme Rambo descobriu os primeiros indícios de que a Maçã estaria desenvolvendo um dispositivo muito parecido (porém utilizando uma tecnologia diferente, o rádio de banda ultralarga): logo após as notícias, a Apple deixou de vender os produtos da Tile em seus canais.

Daru citou esse episódio como um dos indícios de práticas monopolistas por parte da Apple, mas não parou por aí. A representante da Tile queixou-se ainda do fato de que a Maçã não permite que outras empresas tirem proveito das tecnologias do chip U1 e da emissão de rádio de bandas ultralargas, e afirmou que os recursos do app Buscar são muito parecidos com os do próprio app da Tile — com a diferença de que um vem pré-instalado no iPhone e não pode ser apagado, enquanto o outro precisa ser baixado e pode ser apagado a qualquer momento.

A Tile queixou-se ainda de mudanças implementadas no iOS 13, que agora lembra aos usuários de desligar os serviços de localização (incluindo aqueles utilizados pelos rastreadores) — ao mesmo tempo em que os recursos do app Buscar são ativados rápida e permanentemente com um simples ajuste que aparece no processo de configuração do iPhone.

O repórter Kif Leswing, da CNBC, trouxe uma resposta oficial da Apple às acusações da Tile. Traduzimos os argumentos a seguir:

A Apple constrói seu hardware, software e apps do sistema de forma a proteger a privacidade dos usuários e oferecer os melhores produtos e ecossistema no mundo. A Apple não construiu um modelo de negócios em torno do conhecimento da localização de um usuário ou do seu dispositivo.

Ao configurar um novo dispositivo, o usuário pode escolher ligar os serviços de localização para ajudá-lo a encontrar um dispositivo perdido com o Buscar, um app muito utilizado desde 2010. Os consumidores têm total controle sobre seus dados de localização, incluindo a localização dos seus dispositivos. Se um usuário não quer utilizar esses recursos, há um ajuste claro e fácil de entender no qual eles podem escolher exatamente quais serviços de localização ele quer ligados ou desligados.

Sobre apps de terceiros, nós criamos a App Store com dois objetivos em mente: que ela seja um lugar seguro e confiável para consumidores descobrirem e baixarem apps, e uma ótima oportunidade de negócios para todos os desenvolvedores. Nós trabalhamos continuamente com os desenvolvedores e analisamos seus feedbacks sobre como proteger a privacidade dos usuários ao mesmo tempo em que fornecemos as ferramentas que eles precisam para construir as melhores experiências.

Nós estamos atualmente trabalhando com desenvolvedores interessados em habilitar a funcionalidade “permitir sempre”, para que essa opção apareça no momento de configuração numa atualização de software futura.

Resta saber, agora, o que o congresso achará das declarações da Tile e da resposta da Apple. Vamos aguardar.

via iDownloadBlog

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